REGRESSÃO DE HÉRNIA DE DISCO E USO DE ANTIDEPRESSIVOS NA DOR LOMBAR
- Coluna em Movimento
- 31 de ago. de 2021
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A dor lombar é um problema bem comum atualmente, tendo as hérnias de disco lombar como uma das causas mais frequentes dessa dor. Apesar de ser frequente, foi observado que cerca de 60% a 90% dessas lesões podem melhorar apenas com tratamento convencional, como a fisioterapia. Alguns resultados animadores mostraram que essas lesões podem se tornar menores e até se resolver completamente sozinhas.
Foi publicada em 2015 uma revisão sistemática que avaliou as probabilidades de regressão discal e resolução completa entre os diferentes tipos de hérnia lombar e constatou que, de fato, a regressão espontânea pode ocorrer, principalmente em casos com maior extravasamento do tecido. Além disso, outros estudos revelaram que em um período de 3 a 40 meses as hérnias de disco podem ser reduzidas em cerca de 35% a 100% dos pacientes.
Apesar da previsão de melhora do quadro clínico na maioria dos indivíduos, alguns ainda precisam de medicação para controlar suas dores. Um fato interessante é que a maioria das diretrizes de prática clínica para dor lombar (75%) endossam o uso de antidepressivos para essa condição, embora que as evidências ainda sejam incertas para a dor lombar crônica.
Recentemente uma revisão sistemática mostrou que embora os efeitos observados dos antidepressivos na redução da dor lombar sejam estatisticamente significativos, a magnitude de tais efeitos é muito pequena para ser considerada clinicamente importante. Também foi observado que cerca de dois terços dos pacientes em uso de antidepressivos apresentam eventos adversos, como sonolência, boca seca, constipação e náuseas.
Seria normal acharmos que, pelo menos para pessoas que tem depressão, o uso de desses medicamentos teria mais eficácia. Entretanto, o estudo mostrou que isso não é verdade. Os participantes com diagnóstico de depressão não apresentaram maiores benefícios do que aqueles sem depressão ao utilizarem antidepressivos para dor. As atuais evidências para o uso desses medicamentos no tratamento da dor lombar são de baixa a muito baixa, ou seja, não permitem nenhuma recomendação firme a favor da sua utilização.
REFERÊNCIAS:
CHIU, Chun-Chieh; CHUANG, Tai-Yuan; CHANG, Kwang-Hwa; WU, Chien-Hua; LIN, Po-Wei; HSU, Wen-Yen. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clinical Rehabilitation, [S. l.], v. 29, n. 2, p. 184–195, 2014. DOI: 10.1177/0269215514540919. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0269215514540919.
FERREIRA, Giovanni E.; MCLACHLAN, Andrew J.; LIN, Chung-Wei Christine; ZADRO, Joshua R.; ABDEL-SHAHEED, Christina; O’KEEFFE, Mary; MAHER, Chris G. Efficacy and safety of antidepressants for the treatment of back pain and osteoarthritis: systematic review and meta-analysis. BMJ, [S. l.], v. 372, p. m4825, 2021. DOI: 10.1136/bmj.m4825. Disponível em: http://www.bmj.com/content/372/bmj.m4825.abstract.




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