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O que é dor? Você já parou para tentar definir esse termo?

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    Coluna em Movimento
  • 13 de out. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 13 de out. de 2020



Em 1978 o Subcomitê de Taxonomia da Associação Internacional para Estudos da Dor (IASP), incluindo representantes de diversas especialidades definiu dor como “uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial, ou descrita nos termos de tal lesão”. Esta definição foi amplamente aceita por profissionais de saúde, pesquisadores da área da dor e adotada por grandes organizações, como a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Nos últimos anos alguns profissionais argumentaram que os avanços no entendimento da dor justificavam uma reavaliação dessa definição. Algumas questões foram problematizadas, tais como: a dor pode variar muito quanto à intensidade, qualidade e duração e possui vários mecanismos fisiopatológicos e significados. Portanto, é um desafio definir o conceito de dor de forma concisa e precisa. Embora a lesão tecidual seja um antecedente comum da dor, a dor pode estar presente, mesmo quando uma lesão tecidual não é perceptível; a definição da dor não inclui o autorrelato das populações fragilizadas e negligenciadas, tais como crianças, pessoas com cognição comprometida ou inabilidade linguística, idosos e animais; o termo desagradável pode banalizar a dor e o sofrimento graves e não expressar bem a experiência; a dor tem relação com aspectos sensoriais, emocionais, cognitivos e sociais; entre outros questionamentos que levariam à modificação do antigo conceito.


Assim, a IASP criou em 2018 uma Força Tarefa Presidencial com especialistas na área para avaliar se a definição de dor deveria ser mantida ou alterada de acordo com as atuais evidencias. Durante as discussões iniciais, chegou-se a uma premissa básica: “a definição deveria ser válida para dor aguda e crônica, e se aplicar a todas as condições de dor, independentemente da sua origem; ser aplicável a seres humanos e animais e sempre que possível, deve ser definida pela perspectiva da pessoa que sente a dor, e não por um observador externo”. O objetivo da definição seria descrever um enunciado claro, conciso e inequívoco que descrevesse as variadas experiências de dor, reconhecendo, ao mesmo tempo, sua diversidade e complexidade.


Foram feitas webconferências, discussões por e-mail, reuniões presenciais e alterações segundo feedback do público em website, e em janeiro de 2020 uma recomendação final foi submetida. A definição da dor após reformulada, ficou como “uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”.


Algumas notas adicionais foram formuladas para melhor entendimento:


1. A dor é sempre uma experiência pessoal que é influenciada, em graus variáveis, por fatores biológicos, psicológicos e sociais;

2. Dor e nocicepção são fenômenos diferentes. A dor não pode ser determinada exclusivamente pela atividade dos neurônios sensitivos;

3. Através das suas experiências de vida, as pessoas aprendem o conceito de dor;

4. O relato de uma pessoa sobre uma experiência de dor deve ser respeitado;

5. Embora a dor geralmente cumpra um papel adaptativo, ela pode ter efeitos adversos na função e no bem-estar social e psicológico;

6. A descrição verbal é apenas um dos vários comportamentos para expressar a dor; a incapacidade de comunicação não invalida a possibilidade de um ser humano ou um animal sentir dor.



Referência:

RAJA, S. N.; CAN D. B.; COHEN, M.; FINNERUP, N. B.; FLOR, H.; GIBSON, S.; KEEF, F. J.; MOGIL, J. S.; RINGKAMP, M.; SLUKA, K. A.; SONG, X.; STEVENS, B.; SULLIVAN, M. D.; TUTELMAN, P. R.; USHIDA, T.; VADER, K. The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises. Pain 2020; 161(9): 1976-1982.

 
 
 

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