CRENÇAS EM DOR: BARREIRA OU FACILITADOR?
- Coluna em Movimento
- 23 de nov. de 2020
- 2 min de leitura

Crença, de uma maneira geral, pode ser definida como algo que alguém aceita sendo verdade ou real e é muito comum no cotidiano das pessoas. Existem crenças relacionadas à saúde, que constroem percepções pessoais sobre a dor, o corpo e a doença, por exemplo. Um conjunto substancial de pesquisas mostram que o que você acredita e faz sobre sua dor contribui para o tempo que ela vai durar e quanto incapacitado será por isso.
As crenças sobre a dor surgem cedo na vida e são influenciadas pelos nossos pais/responsáveis. Elas também podem ser formadas por meio de experiências pessoais vividas anteriormente aos sintomas, ou constituídas por meio da observação dos sintomas de outras pessoas, bem como as informações que recebemos de médicos e da mídia ao longo do tempo. Logo, nem sempre são racionais, ou seja, podem persistir mesmo depois de serem apresentados os fatos.
Com isso, elas são constantemente atualizadas para influenciar o comportamento contínuo por meio de uma interação dinâmica e constante entre fatores cognitivos, comportamentais e contextuais. Assim, embora o conteúdo das crenças possa diferir entre indivíduos e até mesmo em um indivíduo em diferentes momentos, a maneira como as crenças governam as respostas de enfrentamento à dor podem ser a mesma.
A relação entre crenças em dor e doenças relacionadas à dor pode ser explicada pelo Modelo de Evitação do Medo. De acordo com este modelo, quando alguém acredita em um sintoma de dor no corpo como uma ameaça à sua saúde e bem-estar, uma resposta de medo pode ser provocada, resultando em um comportamento de evitação, como restrição do movimento ou proteção articular. Por exemplo, uma pessoa com dor nas costas tende a se movimentar de maneira mais devagar, evitar atividades que acredita ocasionar a dor ou até mesmo atividades do seu trabalho profissional.
Nesse contexto, essas atitudes de evitação podem complicar ainda mais o quadro clínico, uma vez que você pode se afastar do seu trabalho, causar problemas financeiros e contribuir para um aumento dos distúrbios emocionais que favorecem a experiência da dor. Além delas, as crenças podem levar à respostas emocionais, a saber, frustração, raiva e culpa, e atrapalhar seu processo de cura.
Dessa forma, é importante que procuremos sempre informações que justifiquem ou anulem nossas crenças, a fim de ter ações eficazes e que de fato nos auxilie no manejo da dor. A informação é sempre o melhor caminho.
REFERÊNCIAS
CANEIRO, J. P. et al. Beliefs about the body and pain: the critical role in musculoskeletal pain management. Brazilian Journal of Physical Therapy, 2020.




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