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Autogerenciamento em dor lombar

  • Foto do escritor: Coluna em Movimento
    Coluna em Movimento
  • 26 de out. de 2020
  • 3 min de leitura

O autogerenciamento tem sido considerado como um tipo de “pacote de tratamento” promissor para a dor lombar crônica e se refere à capacidade do paciente de gerenciar seus próprios sintomas, tratamento, aspectos físicos e psicológicos envolvidos e as mudanças de estilo de vida que forem necessárias, tendo em vista que sua condição é crônica.

O autogerenciamento enfatiza a importância da participação do paciente no tratamento da dor lombar, evidenciando a necessidade de uma colaboração entre o paciente e o profissional de saúde. Sendo assim, neste modelo de cuidado, o paciente é empoderado e encorajado a tomar uma responsabilidade pessoal para com a gestão de sua dor ao longo do dia-a-dia, rompendo com o padrão de tratamento em que o profissional de saúde realiza uma série de cuidados passivos de forma unilateral, de especialista para o paciente.

O modelo de autogerenciamento funciona através de um pacote educacional de intervenções com 6 princípios:

  1. Resolução de problemas: os pacientes são ensinados a ter competências básicas de resolução de problemas, isto inclui definir qual o problema, suas possíveis soluções e avaliar o resultado delas.

  2. Tomada de decisão: equipados com o conhecimento necessário, os pacientes são capazes de tomar decisões no cotidiano para manejar sua própria dor de acordo com as alterações que acontecerem.

  3. Utilização de recursos: os pacientes devem ser ensinados detalhadamente a encontrar e utilizar vários recursos potenciais para seu tratamento.

  4. Formação de parcerias prestadoras no cuidado em saúde: no autogerenciamento da dor crônica, o papel do prestador de cuidado é de ensinar, ser parceiro e supervisionar o paciente. O paciente deve ser capaz de relatar com precisão os aspectos necessários sobre sua dor, fazer escolhas bem informadas sobre tratamentos e discuti-las com o prestador de cuidado.

  5. Definição de objetivos e planejamento de ações: definir os objetivos ajudará o paciente a participar de forma ativa e gerenciar sua própria dor. Planejar suas ações, especificando onde, quando e como ajudara a formar objetivos mais específicos.

  6. Auto-ajuste: com base nas mudanças de comportamento aprendidas, os pacientes são conduzidos a escolher seus comportamentos por si próprios, tornando suas intervenções mais eficazes por serem individualizadas.

O estudo de Shizheng Du et al. (2017) mostra que um programa de autogerenciamento melhora a intensidade da dor (principalmente ao longo do primeiro ano) e a incapacidade (principalmente a curto prazo, mas com efeitos significativos a médio e longo prazo também) dos pacientes com dor lombar crônica.

Os programas de autogerenciamento são uma opção favorável para ensinar aos pacientes com dor lombar crônica a realizar a autogestão de seus sintomas, podendo aumentar sua motivação e responsabilidade sobre sua condição de saúde. É interessante que os terapeutas desenvolvam seus programas utilizando-se de teorias psicológicas, como a Terapia Cognitivo Comportamental para que possam ser mais efetivos. Com relação à duração, estudos levantam a possibilidade de que programas muito longos diminuam a adesão dos pacientes à intervenção, prejudicando os resultados. E ainda, para além do tradicional, um programa de autogerenciamento realizado através da internet pode ser uma forma de assegurar mais acesso e conveniência para os pacientes.

Sendo assim, talvez este seja um momento oportuno para explorar a telereabilitação e realizar um programa de autogerenciamento de sua dor lombar crônica. Procure um fisioterapeuta e inicie o tratamento.

Referência:

Du S, Hu L, Dong J, Xu G, Chen X, Jin S, Zhang H, Yin H. Self-management program for chronic low back pain: A systematic review and meta-analysis. Patient Educ Couns. 2017;100(1):37-49.

 
 
 

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